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Quarta-feira, Fevereiro 20, 2008





Domingo, Fevereiro 17, 2008


COPA DO MUNDO
ESTE SIM JOGA BONITO
Aos 34 anos, o craque francês encerra a carreira da melhor forma possível: levando seu time pela segunda vez a uma decisão

Foto: Alex Grimm/Reuters

Zidane contra o Brasil: uma atuação para entrar nas antologias do futebol

André Fontenelle - DE FRANKFURT
Fonte: VEJA

Há pouco mais de dois meses, ao anunciar que a Copa do Mundo marcaria sua despedida dos gramados, Zinedine Zidane afirmou: "Jogar sete partidas é um objetivo que posso almejar". Com um gol de pênalti que liquidou a semifinal contra Portugal, a estrela francesa ganhou o derradeiro desafio e aproximou-se do melhor epílogo possível para a trajetória de um craque: disputar a grande decisão, em Berlim, e em seguida descalçar as chuteiras para sempre.

Sua simples presença na final, vencendo ou não a Itália, é um desfecho tão merecido quanto surpreendente. Duas semanas atrás, o que se discutia na França era se o ídolo deveria ser barrado da equipe. Afinal, depois de duas partidas medíocres com ele em campo, empates contra a Suíça e a Coréia do Sul, o time melhorou e derrotou Togo justamente quando Zidane, suspenso, ficou de fora. O técnico Raymond Domenech cravou tudo na escalação do ídolo, e deu certo. Diante do Brasil, o camisa 10 francês deu uma exibição que irá figurar nas antologias esportivas. Desmoralizou os brasileiros com dribles, chapéus e passes perfeitos e cruzou a bola que Thierry Henry enfiou no gol de Dida. "Não se aposente nunca", pediu em manchete o diário madrileno Marca. Em seu clube, o Real Madrid, da Espanha, ainda há quem sonhe em convencê-lo a não interromper a carreira.

Michel Euler/AP e Kim Jae-Hwan/AFP
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Os dois Mundiais anteriores: vitória em casa em 1998 e fiasco na Ásia em 2002

Homem discreto, que troca qualquer noitada por ficar em casa com a mulher e os filhos, Zidane já voltou atrás uma vez. Em 2004, disse que não vestiria mais a camisa azul da França. Mudou de idéia um ano depois. "Não quero voltar como o salvador, como o Zorro", ressalvou, relacionando a inicial de seu nome à do herói mascarado do cinema.

Para a maioria dos franceses, porém, ele é exatamente isso. Zizou, como o chamam, simboliza uma França ganhadora. Antes dele, o maior jogador do país foi Michel Platini, que em Copas do Mundo não conseguiu ir além da semifinal. O único laurel de Platini foi o título europeu de 1984, torneio realizado em solo francês e no qual Zidane, então um menino de 12 anos, trabalhou como gandula.

Curiosamente, os próprios franceses demoraram a reconhecer seu talento. Só aos 22 anos Zidane foi convocado pela primeira vez para a seleção adulta. Aos 26, consagrou-se com dois gols na final da Copa de 1998, contra o Brasil. Quatro anos depois, machucado, fracassou no Mundial da Ásia. Desta vez, ao levar o time à segunda final em oito anos, Zidane entrou em um panteão reservado a nomes como Pelé, Puskas, Beckenbauer, Cruijff e Maradona, os maiores craques das Copas.

O sucesso da seleção de Zidane desmentiu alguns chavões do futebol. Primeiro, o de que não é possível chegar à decisão com um time de veteranos. A média de idade dos franceses era a mais alta da Copa. Zidane, aliás, completou 34 anos durante a competição. Por isso, os torcedores franceses trocaram o tradicional grito de "Allez, les Bleus" ("Avante, azuis") por "Allez, les Vieux" ("Avante, velhinhos"). Outro mito derrubado é o de que uma seleção vencedora precisa ter um grupo unido.

O goleiro reserva Coupet não fala com o titular Barthez e chegou a abandonar a concentração dias antes da Copa. De Zidane dizia-se ter um relacionamento frio com o atacante Thierry Henry. Em 57 partidas juntos, nunca Zidane havia dado um passe convertido em gol pelo colega. Via-se nisso um sinal de inimizade entre os dois. Para infelicidade do Brasil, escolheram justamente o dia 1º de julho para quebrar a escrita.

De seu lado, o técnico Raymond Domenech bateu boca ao vivo com um jornalista do canal TF1, contestando uma reportagem que acusava os jogadores de não distribuir autógrafos. Domenech também foi criticado por ter dado uma entrevista exclusiva à própria mulher, apresentadora de outra emissora – imagine-se Parreira casado com Luciana Gimenez e concedendo-lhe privilégios.

Mas nenhum jornalista tinha mais motivos de insatisfação do que o locutor Thierry Roland, uma espécie de Galvão Bueno local. Pessimista, prometeu desfilar nu pela Praça da Concórdia, no coração de Paris, se a França fosse campeã. Independentemente do resultado, o gênio Zizou calou os críticos.(08.06.2006)

thepassiranews@yahoo.com.br





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